Ombro do nadador

OMBRO DO NADADOR – AS LESÕES NA NATAÇÃO – Osteopata Lisboa

O Ombro do Nadador é uma condição musculoesquelética que causa sintomas de dor anterior e lateral no ombro, por vezes perto da região subacromial.

O OMBRO DO NADADOR APRESENTA AS SEGUINTES CARACTERÍSTICAS:

  • Inflamação do tendão supra-espinhoso e da cabeça longa do bíceps, com quadro de impacto no ombro.
  • A maioria dos sintomas está associada a uma postura alterada, com a articulação glenoumeral a apresentar alterações no seu controlo neuromuscular.
  • Erros técnicos como o overtraining, a sobrecarga e, principalmente, a má técnica na natação podem também contribuir para a manifestação deste problema.

O início dos sintomas pode estar associado a má postura, pouca mobilidade glenoumeral, controlo neuromuscular deficiente ou tónus muscular do ombro deficiente.

O tratamento dos nadadores profissionais deve focar-se na prevenção. Com a realização de tratamentos constantes, o ombro deve ser mantido livre para que seja alcançado o movimento correcto do ombro durante a natação.

Embora a natação seja um desporto de baixo impacto, o uso excessivo dos ombros pode causar danos nestas articulações.

Por exemplo, o ombro de um nadador não profissional, gira aproximadamente 10 vezes numa piscina de 25 metros, o que significa que,  cada ombro pode realizar mais de 1000 movimentos por treino. Multiplique este número por o número de treinos por semana e o risco de lesões aumenta.

Ombro do nadador

O Ombro e a Natação

O complexo articular do ombro foi concebido para realizar movimentos com uma amplitude e graus de liberdade superiores a qualquer outro sistema articular do corpo.

A mobilidade excessiva do ombro na articulação gleno-umeral e na escápulo-torácica é estabilizada pelas articulações esterno-clavicular e acrómio-clavicular.

Ao nível da gleno-umeral, um sistema complexo de ligamentos contribui para a estabilidade primária, e um elaborado sistema músculo-tendinoso estabiliza os seus movimentos.

Este mecanismo de suporte permite que o ombro suporte grandes esforços e cargas externas, trabalhando com a sua mobilidade e permitindo movimentos complexos.

A melhor expressão deste binómio de equilíbrio — Estabilidade e Mobilidade — verifica-se nos movimentos aéreos.

Muitos desportos aéreos, como as modalidades que utilizam uma raquete ou o voleibol, exigem dois ou três tipos diferentes de movimentos do ombro.

No que diz respeito à natação, os movi mentos exigidos a um atleta profissional correspondem a cerca de 4000 movimentos circulares do ombro por treino, tornando esta modalidade uma fonte comum de lesões no ombro.

A dor no ombro no nadador é um dos sintomas músculo-esqueléticos mais comuns, com uma incidência de dor articular no ombro entre nadadores profissionais que varia entre os 27% e os 87%. (1)

Ombro do nadador

Causas do Ombro do Nadador: O Que Provoca a Lesão?

O ombro do nadador, também conhecido como síndrome do impacto subacromial ou shoulder impingement, é uma condição comum entre praticantes de natação, principalmente no estilo livre. Em menor frequência, pode afetar nadadores dos estilos costas e borboleta.

O Que Causa o Ombro do Nadador?

A lesão é geralmente provocada por movimentos repetitivos e incorretos durante os treinos. No nado crawl (livre), o papel da escápula e de seus músculos é fundamental. Quando a escápula não se move corretamente, ocorre sobrecarga na articulação do ombro, aumentando o risco de lesões.

Principais causas:

  • Treino excessivo (overtraining), com aumento abrupto de volume ou intensidade; (2)
  • Microlesões no manguito rotador, causadas por uso repetitivo;
  • Instabilidade e dor no ombro devido ao esforço contínuo;
  • Desequilíbrio muscular entre força e flexibilidade;
  • Respiração unilateral durante a braçada;
  • Uso excessivo de palmares (acessórios de treino para as mãos).

Fatores Intrínsecos

São aqueles relacionados ao próprio corpo do nadador, como:

  • Lesões por impacto subacromial, afetando o manguito rotador e o tendão da cabeça longa do bíceps;
  • Bursite subacromial, que aumenta a compressão entre o acrômio e o úmero;
  • Alterações no movimento da escápula, como deslizamento lateral anormal;
  • Fraqueza muscular, especialmente no serrátil anterior, comprometendo o controle escápulo-torácico;
  • Instabilidade dos tendões, dificultando a estabilização da cabeça do úmero na cavidade glenoidal;
  • Fadiga muscular, que altera a mecânica da braçada e reduz a eficiência técnica.

Fatores Extrínsecos

Relacionam-se às condições externas, como treinamento e técnica:

  • Sobrecarga de treino, como aumento repentino da distância diária (por exemplo, de 5.000m para 10.000m);
  • Uso excessivo de palmares, que aumentam a resistência e exigem mais dos ombros;
  • Técnica incorreta, especialmente no estilo livre, com rotação excessiva do tronco e aumento da compressão nos tendões;
  • Retorno aos treinos após pausa, com perda de força muscular e controle motor da escápula.

A combinação desses fatores leva a um ciclo de dor, compensações musculares e piora da lesão.


O ombro do nadador é uma condição multifatorial, influenciada por aspectos biomecânicos, técnicos e de treinamento. Identificar e corrigir erros de técnica, além de ajustar o volume e a intensidade dos treinos, é essencial para prevenção e reabilitação.

Para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, consulte um profissional de saúde especializado, como um Osteopata em Lisboa ou fisioterapeuta esportivo.

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Epidemiologia do Ombro do Nadador

A dor no ombro é extremamente comum entre nadadores, especialmente os que treinam em alto volume ou competem em níveis elevados.

Incidência da Dor no Ombro do Nadador

Um estudo recente envolvendo 80 atletas jovens, com idades entre 13 e 25 anos, revelou que 91% já apresentaram dor no ombro em algum momento da carreira esportiva.

Desse grupo, 80% foram diagnosticados com a síndrome do impacto subacromial (também conhecida como ombro do nadador), um problema frequente em esportes com movimentos repetitivos dos braços, como a natação.

Achados por imagem:

  • A maioria dos casos foi confirmada por ressonância magnética, que identificou tendinopatia do músculo supraespinhal.
  • O supraespinhal é um dos músculos do manguito rotador, responsável por estabilizar a articulação do ombro e frequentemente afetado por microtraumas repetitivos.

Dor no Ombro e Nível Competitivo

Nadadores de nível competitivo mais elevado apresentam maior probabilidade de desenvolver sinais clínicos de tendinopatia do ombro, frequentemente identificados por exames de imagem como radiografias e ressonâncias.

Além disso, estudos indicam que a maioria dos nadadores reconhece e convive com dor no ombro, mesmo durante os treinos e competições. Essa persistência da dor pode levar à adaptação do estilo de nado, aumento do risco de lesões e redução da performance.

Sintomas do Ombro do Nadador

O principal sintoma do ombro do nadador é a dor no ombro acompanhada de perda de força e alteração na mecânica da braçada. Essa dor geralmente surge de forma progressiva, agravando-se com o aumento da carga de treino.

Como a dor se manifesta?

Nos nadadores, os sintomas costumam aparecer em momentos específicos do ciclo da braçada, principalmente no estilo livre. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dificuldade em levantar o cotovelo durante a fase de recuperação do braço (fase fora da água);
  • Entrada antecipada da mão na água devido à limitação de movimento;
  • Sensação de dor aguda ou incômodo ao realizar movimentos repetitivos de rotação do ombro;
  • Redução da força na fase propulsiva, prejudicando o desempenho do nado.

Dor em diferentes fases da braçada

A localização e o momento da dor ajudam a identificar a causa específica:

  • Dor na fase de recuperação (fora da água): pode indicar a síndrome do impacto subacromial (impingement);
  • Dor na fase de propulsão (dentro da água): pode estar relacionada a lesão do lábio glenoidal, estrutura que estabiliza a articulação do ombro.

Exames de imagem

Para diagnóstico preciso, o médico pode solicitar exames como:

  • Ressonância magnética, para avaliar tendões, músculos e estruturas profundas do ombro;
  • Tomografia computadorizada, útil em casos mais complexos ou com suspeita de lesões ósseas associadas.

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Prevenção do Ombro do Nadador

A prevenção da dor no ombro em nadadores depende, principalmente, da correção técnica e de cuidados físicos regulares. Como essa é uma lesão por uso excessivo e repetitivo, pequenos ajustes na técnica e rotina de treino fazem grande diferença a longo prazo.

1. Corrigir a técnica com supervisão profissional

Um dos principais fatores de risco para o ombro do nadador é a técnica incorreta. Movimentos desalinhados ou compensações biomecânicas aumentam a sobrecarga na articulação do ombro.

Treinar com acompanhamento de um técnico qualificado ajuda a corrigir erros na braçada, na rotação do tronco e na posição do cotovelo, prevenindo lesões recorrentes.

2. Nunca nadar com dor

A regra de ouro na prevenção é simples: não ignore a dor. Se houver desconforto, pare e investigue. Continuar treinando com dor pode agravar o quadro e levar a lesões crônicas.

Sentir dor não é normal, nem mesmo em treinos intensos. A prevenção deve priorizar o conforto e a funcionalidade do movimento.

3. Incluir exercícios de mobilidade e fortalecimento

Para manter os ombros saudáveis, é essencial adotar uma rotina complementar com:

  • Exercícios de mobilidade articular, principalmente da escápula e da cintura escapular;
  • Fortalecimento específico do manguito rotador e serrátil anterior;
  • Treinos de propriocepção e controle motor.

Esses exercícios ajudam a estabilizar o ombro, melhorar o controle neuromuscular e evitar desequilíbrios musculares comuns entre nadadores.

4. Tratamento osteopático preventivo

A osteopatia desportiva pode ser uma aliada importante na prevenção do ombro do nadador. Técnicas manuais ajudam a:

  • Reduzir tensões musculares e articulares;
  • Equilibrar o sistema musculoesquelético;
  • Melhorar a mecânica corporal global, prevenindo sobrecargas compensatórias.

Dor do nadador

Tratamento do Ombro do Nadador

O tratamento do ombro do nadador deve ser individualizado, focando na causa da dor e não apenas nos sintomas. Uma avaliação completa da postura, mobilidade da coluna e biomecânica dos movimentos é essencial para um plano eficaz de reabilitação.

Tratamento Conservador: Primeira Escolha

Na maioria dos casos, os ortopedistas recomendam um tratamento conservador por pelo menos 6 meses antes de considerar qualquer intervenção cirúrgica. Esse tratamento inclui:

  • Osteopatia Desportiva
  • Fisioterapia especializada
  • Uso pontual de medicamentos anti-inflamatórios ou fitoterápicos
  • Exercícios de reabilitação e controle motor

Agir rapidamente é crucial para evitar lesões permanentes, perda de mobilidade e cronificação da dor.


As 7 Fases da Reabilitação do Ombro do Nadador

Pesquisas apontam sete fases principais para uma recuperação completa e segura. Abaixo, detalhamos cada uma delas:

Fase 1: Eliminação da Dor e Ação Anti-inflamatória

  • Aplicação do método RICE (Rest, Ice, Compression, Elevation) nas primeiras 48–72 horas;
  • Uso de tipoia temporária para reduzir carga sobre o ombro;
  • Em casos graves, dormir com o braço apoiado sobre uma almofada pode aliviar a dor;
  • Gelo por 20–30 minutos a cada 2–4 horas para controlar inflamação;
  • Anti-inflamatórios (prescrição médica) ou arnica natural como suporte inicial;
  • Terapias complementares, como laser, tecarterapia e Kinesio Taping aplicados por profissional qualificado;
  • Técnicas osteopáticas para aliviar tensão e restaurar mobilidade articular.

Fase 2: Recuperação da Amplitude de Movimento (ROM)

  • A mobilidade articular deve ser restaurada gradualmente, começando com:
    • Alongamentos leves
    • Mobilizações passivas e ativas
    • Liberação de fáscia e tecidos moles
  • O objetivo é evitar restrições estruturais e restaurar o controle neuromuscular funcional.

Fase 3: Restauração do Controle Escapular

  • A escápula é a base dos movimentos do ombro.
  • É essencial reeducar o deslizamento escapuloumeral, prevenindo o impacto subacromial.
  • Exercícios para músculos estabilizadores como o serrátil anterior, trapézio inferior e romboides são fundamentais.

Fase 4: Correção da Função Cervico-Escápulo-Torácica

  • Disfunções na coluna cervical a e torácica podem causar dor referida e afetar a biomecânica do ombro.
  • O tratamento inclui:
    • Liberação miofascial e de aderências
    • Ajustes osteopáticos
    • Tração cervical e manipulações seguras

Fase 5: Fortalecimento do Manguito Rotador

  • Exercícios progressivos para os músculos do manguito rotador (supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor);
  • Treinamento de força e resistência controlada;
  • Inclusão de exercícios proprioceptivos para refinar o controle motor e prevenir recidivas.

Fase 6: Retorno à Técnica, Agilidade e Força

  • Treinador e osteopata devem colaborar para reintroduzir movimentos técnicos com segurança.
  • Treinos devem focar em:
    • Ajuste da técnica de braçada
    • Reconstrução da força específica
    • Evolução gradual da intensidade

Fase 7: Retorno Completo à Natação

  • Reintrodução cuidadosa aos treinos na água, respeitando:
    • Capacidade física atual
    • Técnica corrigida
    • Monitoramento de dor e fadiga

Tratar a Causa, Não Só o Sintoma

O sucesso no tratamento do ombro do nadador está em abordar todos os fatores biomecânicos, posturais e funcionais. A reabilitação guiada por profissionais — como fisioterapeuta, osteopata e preparador físico— é fundamental para restaurar o desempenho esportivo e evitar recaídas.

Artigo escrito por Sebastian Guzzetti – Osteopata Lisboa

Osteopata e associado ao Roi (Registro Osteopati Italia) com mestrado em Motricidade Humana.

Realizei diversos cursos de pós-graduação, incluindo Osteopatia Pediátrica, Osteopatia Biodinamica, Saúde da Mulher na Gravidez, Biotipologias, Avaliação Postural e também Manipulação Visceral.