Rotura muscular: sintomas, causas e tratamentos – Osteopata Lisboa
A rotura muscular é uma lesão mais ou menos grave de um músculo.
Os músculos são estruturas contráteis altamente vascularizadas e inervadas, com a função de se contraírem e alongarem para produzir movimento, de forma a desempenharem as diferentes funções vitais.
Neste artigo, vamos analisar e identificar as características de uma rotura muscular, os seus tratamentos e as formas de prevenir uma lesão muscular.
O QUE É UMA ROTURA MUSCULAR OU UMA RUTURA DAS FIBRAS MUSCULARES?
A rutura das fibras musculares, também conhecida como rotura muscular, é uma lesão do músculo em que as fibras que o compõem se rompem.
A rotura muscular provoca uma dor muito intensa que obriga a pessoa em questão à suspensão imediata da atividade que estava a realizar, com um agudizar da dor na área da lesão ao contrair o músculo afetado.
Quando ocorre uma rotura muscular, existe uma sensação de dor aguda e localizável. As pessoas afetadas por este evento descrevem-no como uma dor causada por uma “facada”, especialmente em situações onde o músculo envolvido se encontra na parte posterior da coxa ou na barriga da perna.
PORQUÊ QUE OCORRE UMA ROTURA MUSCULAR?
Uma rotura muscular é uma lesão que pode ocorrer de 2 formas diferentes:
- De forma direta, como consequência de uma contusão ou de um trauma. Evidentemente, o trauma direto no músculo provoca uma rutura das fibras musculares, causando assim uma rotura muscular.
- De forma indireta, como consequência de um alongamento repentino, com uma sucessiva contração forte e brusca do próprio músculo. Esta é a forma mais comum pela qual ocorre uma rotura muscular.
FATORES DETERMINANTES DA GRAVIDADE DA ROTURA MUSCULAR
A gravidade da lesão muscular é determinada por múltiplos fatores:
- Localização da lesão.
- Tamanho da rotura muscular e da rutura das fibras musculares.
- Morfologia da rutura (a forma da rotura).
- Idade da pessoa (quanto mais elevada, mais grave será a lesão).
- Doenças em curso (como por exemplo as metabólicas).
- Estado de saúde geral.
CLASSIFICAÇÃO DA ROTURA MUSCULAR
Existem vários tipos de classificação das roturas musculares.
Geralmente, são classificadas com base na quantidade de fibras musculares rompidas. Estas são medidas desde poucos milímetros até alguns centímetros, caso a lesão seja importante.
Apresento de seguida uma tipologia de classificação (Bisciotti, 2002):
Rotura de 1.º grau – ligeira
Anamnese e sintomas:
- A dor é aguda e violenta durante a atividade
- O indivíduo deve abandonar a atividade
Critério anatomo-patológico:
- A rotura causa um edema mais ou menos evidente consoante a dimensão, a localização e a integridade, ou não, das fáscias.
- Existe uma rutura de algumas fibras musculares e não de todo o feixe muscular. Classifica-se como lesão de 1.º grau.
Rotura de 2.º grau – moderada
Anamnese e sintomas:
- A dor é aguda e violenta durante a atividade
- O indivíduo deve abandonar a atividade
Critério anatomo-patológico:
- Na rotura de 2.º grau, ocorre a laceração de um ou mais feixes musculares, que envolve, no entanto, menos de ¾ da superfície da secção anatómica do músculo na área considerada.
- Existe um défice funcional importante, mas não absoluto.
Rotura de 3.º grau – grave
Anamnese e sintomas:
- A dor é aguda e violenta durante a atividade
- O indivíduo deve abandonar a atividade
Critério anatomo-patológico:
- Existe uma perda da continuidade muscular; a lesão envolve mais de ¾ da superfície da secção anatómica do músculo na área considerada.
- O défice funcional é total.
A lesão pode ser adicionalmente distinta em:
- Parcial: no caso em que a laceração da secção do músculo é importante, mas incompleta.
- Total: no caso em que ocorre uma laceração total do ventre muscular.
Quanto tempo é necessário para curar uma rotura muscular?
O tempo de recuperação após uma lesão muscular varia consideravelmente com base em vários fatores: o tipo e a dimensão da rotura muscular, o tratamento efetuado e os aspetos próprios da pessoa interessada (estado de saúde, peso, idade, sexo…).
Em geral, considerando que seja efetuado um processo de recuperação adequado e que os dados indicados podem ser variáveis com base nas características individuais, uma rotura muscular tem um processo de cicatrização de aproximadamente:
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I° grau ou ligeiro: 1-2 semanas
-
II° grau ou moderado: 3-6 semanas
-
III° grau ou grave: de 3 a 12 meses (pode exigir cirurgia)
Neste artigo, tomar-se-á em consideração um caso típico, como pode ser uma rotura muscular de segundo grau do membro inferior que, com um tratamento correto, pode permitir o regresso à atividade completa em 15-20 dias.
DIAGNÓSTICO – COMO SABER SE TIVE UMA ROTURA MUSCULAR
A primeira coisa a fazer quando se suspeita de uma lesão ou de uma rotura muscular é realizar um diagnóstico diferencial correto para determinar se existe realmente uma rutura das fibras musculares ou se se trata de um problema menos grave, como uma contratura ou um estiramento muscular.
Geralmente, casos de rotura muscular de leve ou pequena dimensão podem ser confundidos com contraturas ou estiramentos musculares que, se não forem tratados adequadamente, poderão causar um agravamento da lesão e um atraso na recuperação.
Por isso, efetuar um bom diagnóstico diferencial é fundamental; habitualmente, recomenda-se uma consulta médica e um exame ecográfico.
Mesmo sem ecografia, tendo em conta os sintomas e a história clínica, é possível chegar à conclusão de uma rotura muscular.
O exame ecográfico serve para obter uma confirmação objetiva da lesão e, consequentemente, da gravidade e dos tempos de recuperação corretos.
ROTURA MUSCULAR ou CONTRATURA MUSCULAR?
Esta é uma pergunta que muitas pessoas fizeram a si mesmas quando sofreram uma lesão desportiva, talvez após uma pontada, uma fadiga ou uma dor que permanece durante alguns dias.
A contratura não é nada mais do que um endurecimento do músculo, que mantém a sua tensão sem a libertar, causando assim dor.
Num gesto atlético, geralmente de tipo explosivo, pode ocorrer também uma rotura, ou seja, uma laceração das fibras de um músculo, o qual, estando lesionado, tenderá a criar posteriormente também uma contratura.
É por isso que se torna muito difícil, mesmo para os mais especialistas, identificar com precisão de que se trata.
O único método para saber com certeza se existe ou não uma rotura muscular é através da Ressonância Magnética (RMN) ou de uma ecografia (ECO).
Contudo, existem sinais clínicos que nos podem ajudar a perceber se se trata de uma contratura ou de uma rotura muscular.
Na ROTURA MUSCULAR sentem-se:
- Pontada muito intensa, rápida e dolorosa durante o exercício
- Existe também uma dificuldade ou impossibilidade imediata de continuar a atividade
- Apresenta-se também uma sensação de gravidade da lesão
- Hematoma e derrame nos dias seguintes na área da lesão (se a rotura for de dimensões reduzidas ou numa camada profunda do músculo, o derrame pode não ser visível). Se existe hematoma é uma rotura; uma contratura muscular nunca gera derrame.
- O tempo necessário para uma cicatrização é de, pelo menos, 15-20 dias, podendo ir até aos 2 meses
Na CONTRATURA MUSCULAR, pelo contrário, trata-se de um problema menos grave:
- Não se manifesta como uma pontada súbita, mas como um incómodo progressivo
- A dor não impede de continuar a atividade, mas se se esforçar mais, esta pode levar à rotura muscular
- Não existe nenhum hematoma ou derrame
- Não há uma sensação de gravidade; após o episódio pode haver dor ou incómodo, mas controlável
- A recuperação é mais rápida, alguns dias
ROTURAS PARCIAIS DOS MÚSCULOS: QUAIS SÃO AS MAIS COMUNS?
As seguintes lesões e roturas musculares são as que ocorrem com mais frequência no nosso organismo:
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Rotura do Bicípete Femoral:
Este tipo de rotura muscular ocorre sobretudo em desportos onde é exigida uma contração do bicípete femoral para poder travar uma corrida ou um salto. Tipicamente em desportos como o atletismo e o futebol.
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Rotura do gémeo:
O músculo principalmente envolvido nesta lesão é o gastrocnémio, e os desportos onde existe uma maior exigência deste músculo são a corrida e os saltos.
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Rotura nas costas, dos músculos paravertebrais lombares:
Uma rotura nas costas ocorre geralmente na sequência de movimentos bruscos e errados; ao fletir-se e levantar um peso do chão, pode sofrer-se uma lesão das fibras dos músculos paravertebrais da coluna lombar.
Após este movimento, podemos sofrer de uma lombalgia mais ou menos grave, com a impossibilidade subsequente de realizar determinados movimentos com as costas.
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Rotura do manguito rodador:
O manguito rodador é um complexo muscular do ombro que mantém a cabeça do úmero no interior da cavidade glenoideia da escápula. O tendão de inserção do supraespinhoso é muito pequeno e pode romper-se na sequência de movimentos repetidos, como a natação, ou de movimentos bruscos do membro superior.
TRATAMENTO INDICADO NA ROTURA MUSCULAR
Antes de continuar este artigo, devo especificar que as indicações recomendadas são gerais e não específicas.
Se teve ou suspeita que tem uma rotura muscular, recomendo que se dirija a um profissional de saúde que, após uma anamnese correta (com ecografia ainda melhor), consiga diagnosticar o tipo, a localização, a dimensão da rotura muscular e, posteriormente, o tratamento correto, específico e personalizado para o seu caso individual.
Cada lesão ou rotura muscular é diferente de outra e, portanto, também a tipologia de tratamento será baseada em cada caso específico.
Fase aguda após uma rotura muscular (do 1º ao 5º dia)
As lesões desportivas, como entorses, inflamações ou roturas musculares, são muito frequentes no desporto, mas são poucas as pessoas que conhecem o tratamento indicado para curar uma lesão e poder regressar à atividade rapidamente.
Aplicação de compressas frias
O tratamento mais indicado quando sofremos de uma rotura muscular é a aplicação de GELO na zona onde ocorreu o trauma ou a lesão muscular.
A aplicação de gelo na zona gera um processo de vasoconstrição dos capilares dos vasos danificados, o que fará com que se reduza a hemorragia na zona e favorecerá o processo de reparação. Deste modo, reduzimos os efeitos negativos de um processo inflamatório e de uma hemorragia excessiva.
Além disso, devemos ter em conta que, em caso de rutura de fibras musculares sem envolvimento do tecido fascial que envolve o músculo, a hemorragia e a inflamação podem permanecer na zona, aumentando a pressão na área da rutura e causando um aumento da dor e da inflamação.
É por isso que a aplicação de frio na zona é a primeira coisa a fazer em caso de rotura muscular, sendo capaz de reduzir os tempos de recuperação.
Massagem drenante
Na primeira fase após uma rotura muscular, é muito indicada uma massagem drenante e linfática.
Este tratamento serve para ajudar a eliminar o excesso de inflamação que é produzido, melhorando assim também a dor, sintoma característico dos primeiros dias após a lesão.
Argila: aplicação em lesões ou roturas musculares
A aplicação de argila (geoterapia) é um remédio natural muito eficaz para apoiar a recuperação de uma rotura muscular, especialmente devido às suas propriedades anti-inflamatórias e absorventes.
• Ação anti-inflamatória e analgésica: A argila verde, em particular, é rica em minerais que ajudam a “absorver” o calor da inflamação e a reduzir o edema (inchaço) e a dor na zona lesionada.
• Redução de hematomas: Graças à sua capacidade de estimular a circulação sanguínea e linfática, a argila favorece a reabsorção do sangue acumulado (hematoma) decorrente da rotura das fibras.
• Remineralização e cicatrização: A presença de silício e magnésio auxilia na regeneração dos tecidos danificados, ajudando a tornar as fibras musculares mais flexíveis durante o processo de cura.
Como aplicar a argila na rotura muscular:
1. Misture a argila (preferencialmente argila verde ventilada) com água morna ou fria até obter uma pasta espessa e homogénea.
2. Aplique uma camada de cerca de 1 a 2 cm de espessura diretamente sobre a pele (desde que não haja feridas abertas).
3. Pode cobrir com uma gaze ou película aderente para manter a humidade e deixar atuar entre 30 a 60 minutos.
4. Retire com água morna assim que a argila começar a secar.
Kinesiotaping ou ligadura neuromuscular para acelerar a recuperação após uma rotura muscular
A aplicação de kinesiotaping após uma rotura muscular ajuda a reduzir o edema que se cria na sequência do trauma.
Com esta ligadura podem criar-se também outras tipologias de aplicação conforme a situação; utiliza-se, de facto, para reduzir a dor, ajudar o movimento e retirar a carga ao músculo afetado.
Com este tipo de tratamento podem ver-se resultados visíveis em poucos dias.
Repouso
Como recomendação geral, em caso de rotura muscular é sempre aconselhado o repouso.
O mais importante na fase aguda é não solicitar a musculatura afetada e, tanto quanto possível, colocar a musculatura numa posição de descarga. Isto fará com que a tensão e o tónus muscular diminuam e criará uma aproximação das extremidades da lesão, facilitando assim a recuperação.
Mobilização passiva
Após os primeiros dias seguintes à rotura muscular, o vosso osteopata poderá efetuar pequenos e controlados exercícios de mobilização passiva.
Deve-se ter sempre em consideração a sensação de dor. Recomenda-se, além disso, efetuar também mobilizações das articulações próximas ao trauma, o que criará um efeito benéfico na circulação sanguínea.
Fase inicial de recuperação após uma rotura muscular (do 5º ao 10º dia)
Durante esta fase de recuperação é aconselhável seguir este itinerário de tratamento:
Aplicação de calor
Assim que a inflamação, o rubor e o calor tenham estagnado, ocorre um processo de consolidação do dano estrutural sofrido pelo músculo.
Geralmente, isto acontece ao quarto dia, em casos de rotura muscular de segundo grau. A partir deste momento, podemos aplicar calor local na área afetada.
Nesta fase, pretende-se melhorar e acelerar os processos de cicatrização da rotura muscular: o calor na zona irá melhorar e ativar a circulação local.
Uma terapia muito recomendada em caso de rotura muscular é a tecar terapia, uma terapia que, graças ao calor produzido por energia capacitiva ou resistiva, consegue ativar o processo biológico normal de cicatrização dos tecidos. Muito frequente nos traumas desportivos.
Ultimamente existem também óptimos lasers com alta potência que ajudam a cicatrização.
Mobilização ativa
Após o 4º ou 5º dia, é recomendável ativar a zona danificada com pequenos movimentos.
Estes devem ser efetuados com um controlo rigoroso e atento, dado que a recuperação muscular será auxiliada por uma mobilização e contração ativa do mesmo.
Isto melhorará e fará com que as fibras musculares se orientem corretamente, ajudando assim o processo de cicatrização e evitando uma fibrose ou aderência, muito comuns nestas lesões.
No caso de rotura muscular no gémeo, de forma mais específica do gastrocnémio, tratar-se-á de exercícios de mobilização ativa sem carga, onde a contração é ativa mas sem a influência de uma carga externa.
Esta contração será suficiente para estimular o processo de cura sem que haja o perigo de incorrer numa nova lesão muscular.
Massagem drenante, circulatória e descontraturante
Nesta fase, é aconselhável efetuar uma massagem no músculo afetado, com o objetivo de estimular a circulação sanguínea e eliminar os resíduos produzidos pelo processo de reparação do tecido danificado.
É também muito importante eliminar as eventuais contraturas que se possam criar, permitindo assim que o músculo cicatrize da melhor forma possível.
Fase principal de recuperação após uma rotura muscular – do 10º ao 20º dia
Nesta fase, o processo de recuperação já se encontra numa fase avançada e pode-se começar a realizar alongamentos controlados e exercícios de readaptação à sobrecarga muscular.
Ligadura compressiva
Uma ligadura ligeiramente compressiva na musculatura lesionada é muito importante nesta fase, sobretudo se começar a efetuar movimentos de ativação muscular com carga.
Nesta fase, recomenda-se iniciar com contrações isométricas e exercícios que não impliquem um esforço contrátil intenso e rápido.
Efetuar uma primeira fase de recuperação muscular na piscina com exercícios lentos é estritamente recomendado.
Stretching ou alongamento em caso de rotura muscular
Aproximadamente a partir do décimo dia, podemos começar a efetuar exercícios de alongamento muscular controlados.
A dor é sempre um indicador para poder realizar, ou não, qualquer exercício que seja recomendado.
Em caso de recuperação de uma rotura muscular, uma vez superada a fase aguda de dor presente mesmo em repouso, a dor presente em determinados exercícios é um indício de que a cicatriz do músculo lesionado está a ser submetida a um esforço.
Por isso, recomenda-se realizar todos os exercícios de stretching tendo como guia da intensidade do alongamento muscular o aparecimento, ou não, da dor.
Exercícios de readaptação muscular com carga
Nesta fase (tendo como exemplo a rotura no gémeo), pode-se começar a efetuar os primeiros exercícios de marcha, tendo o cuidado de não gerar dor durante a contração do músculo lesionado e tendo em conta que a duração e a intensidade dos exercícios devem ser moderadas e simples.
Fase final e regresso ao campo (do 20º dia em diante)
Esta é a última fase da recuperação de uma rotura muscular.
O objetivo principal é a retoma do gesto motor; após esta fase, poder-se-á, portanto, regressar à atividade desportiva normal.
Exercícios ativos mais intensos
Para obter uma correta readaptação muscular, nesta fase devemos incrementar de forma gradual a duração e a intensidade do esforço físico, evitando sempre contrações bruscas e intensas, como podem ser os gestos de tipo balístico.
O treino mais útil e importante nesta fase é, certamente, o de tipo excêntrico.
Não podemos esquecer que, embora nesta fase o músculo se encontre quase completamente “curado”, pode todavia ocorrer uma possível lesão muscular.
Portanto, devemos ser muito prudentes na execução de exercícios intensos, como sprintar, chutar ou outros gestos que exijam uma contração forte e rápida da musculatura lesionada.
Treino excêntrico
O treino excêntrico demonstrou em inúmeras investigações que gera grandes benefícios após uma lesão muscular, sendo também muito utilizado em atletas de alto nível como método de prevenção.
Este efeito deve-se à tipologia de contração, uma vez que, sendo do tipo excêntrico, a musculatura envolvida alonga-se enquanto está sob uma tensão aumentada. Esta tensão é muito mais elevada em comparação com as outras tipologias de contração, como a isométrica ou a concêntrica.
Além disso, aumenta a estimulação das células reconstrutivas dos tendões e do osso, bem como o alinhamento em paralelo das fibras de colagénio, que são muito importantes para a resistência contra as forças externas que podem voltar a lesionar o músculo.
Stretching mais intenso
Nesta fase, os exercícios de alongamento muscular devem ser mais intensos, procurando-se uma tensão maior.
Um dos principais objetivos desta fase é a recuperação completa da flexibilidade e elasticidade muscular que, após uma rotura muscular, se viu reduzida.
Deve-se procurar o mesmo alongamento do membro não lesionado, mantendo sempre como linha de orientação o aparecimento da dor.
Massagem transversal profunda em caso de aderências ou fibroses (tipo Cyriax)
Na sequência de uma rotura muscular, é bastante comum encontrar, como consequência dos processos de reparação e cicatrização, calos ou cicatrizes espessadas.
Isto pode, posteriormente, levar a aderências entre as diferentes camadas de fibras musculares.
Para evitar que tal aconteça, recomenda-se realizar, nesta fase, massagens transversas profundas do tipo Cyriax.
Desta forma, obtém-se uma rutura das fibroses e aderências, melhorando o deslizamento das fibras e a qualidade da cicatriz formada após a rotura muscular.
Neste artigo, como podem ver, existem conselhos muito genéricos sobre como enfrentar uma situação de rotura muscular.
Torna-se muito importante especificar que cada lesão é diferente e, por isso, deve ser avaliada individualmente por um fisioterapeuta ou osteopata, para poder realizar a melhor terapia possível para o seu caso.
Fibrolise
Após uma rotura muscular importante, pode formar-se uma fibrose. Na zona onde ocorreu a lesão, podem criar-se espessamentos do tecido conjuntivo, causando perda de elasticidade e criando aderências e fixações.
Com este novo tecido pouco elástico, pode-se inclusivamente perder mobilidade, gerar inflamação e dor nos tecidos moles, como tendões, ligamentos e músculo.
Efetuar uma fibrolise, ou seja, uma rutura dos tecidos fibróticos, é muito importante para melhorar a mobilidade articular e o alongamento muscular e fascial.
Trata-se de uma técnica muito eficiente, indicada sobretudo nas zonas de inserção muscular e tendinosa.
A fibrolise ocorre habitualmente através de terapia manual, a qual pode utilizar pequenos instrumentos para facilitar a técnica.
Tratamento das aderências e das cicatrizes
A Osteopatia tem como abordagem de tratamento a avaliação de todo o corpo.
Muito importantes para uma questão de movimento são as aderências e as cicatrizes, sobretudo se estas se encontram em áreas que envolvem articulações ou o abdómen.
Uma aderência cria uma fixação e, como tal, altera as características dessa zona.
Se a aderência for importante, pode inclusivamente ser causa de uma modificação postural e criar, assim, possíveis compensações que levam a dor e rigidez de movimento, mesmo longe da área afetada.
O tratamento das cicatrizes no campo osteopático é fundamental. Imaginem ter uma cicatriz grande no abdómen, como por exemplo numa mulher que foi submetida a uma cesariana; se esta cicatriz não for tratada, pode criar aderências no baixo ventre e, consequentemente, criar uma fixação e tração anterior. Esta força vai modificar a estrutura postural da coluna lombar, podendo até ser causa de uma dor de costas.
O objetivo do tratamento das aderências e das cicatrizes é, portanto, evitar a formação de novas tensões e forças que possam causar compensações excessivas ao nosso corpo e ser, assim, causa de dores e posturas incorretas.
Prevenção: como evitar sofrer uma rotura muscular?
Qualquer lesão que ocorra no nosso corpo é prevenível. Para evitar ter uma rotura muscular, deve saber que:
- BOM AQUECIMENTO: Se pratica uma atividade desportiva ou física intensa, deve efetuar sempre primeiro um bom aquecimento. Este deve incluir todas as articulações; pode começar pela cabeça e descer até aos pés (ou seja: cervical, ombros, cotovelos, pulsos, costas, anca, joelhos e pés ). O aquecimento prepara os músculos e as articulações, estimulando todas as propriedades que permitam efetuar um movimento de reação rápido e brusco sem se lesionar.
- NÃO EXCEDA A ATIVIDADE QUE ESTÁ A REALIZAR: É necessário recordar que um músculo fadigado não responde bem às mudanças de direção e já não é capaz de responder corretamente aos estímulos que sofre durante o exercício. Ouça e respeite o seu corpo durante a atividade física, dê o tempo de recuperação adequado ao seu corpo. Isto fará com que o seu corpo melhore a sua resistência às lesões.
- BEBER SAIS MINERAIS: Nunca se esqueça de beber e repor os sais minerais. Com a atividade física perdem-se muitas substâncias necessárias ao correto funcionamento do organismo, como água e sais minerais. O consumo de bebidas energéticas pode ser uma ajuda válida na reposição destes elementos que são eliminados.
Resumindo.. a rotura muscular
- A rotura muscular gera-se como consequência de um estiramento importante das fibras do músculo e a sua gravidade depende da localização, dimensão da lesão, idade, estado de saúde geral da pessoa, etc.
- O tempo de recuperação para uma rotura muscular depende do grau da lesão e dos tratamentos que são realizados.
- O tratamento para uma rotura muscular deve ser efetuado por um profissional qualificado. Não se devem realizar técnicas de recuperação de forma autónoma, pois poderá incorrer numa nova lesão, agravando a sua situação.
- O tratamento deve ser personalizado, com base nas características da sua lesão (rotura muscular).
- É realizado um percurso de recuperação progressivo, até que se possa retomar totalmente a atividade.
Osteopata Lisboa – Guzzetti Sebastian
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Artigo escrito por Sebastian Guzzetti – Osteopata Lisboa
Osteopata e associado ao Roi (Registro Osteopati Italia) com mestrado em Motricidade Humana.
Realizei diversos cursos de pós-graduação, incluindo Osteopatia Pediátrica, Osteopatia Biodinamica, Saúde da Mulher na Gravidez, Biotipologias, Avaliação Postural e também Manipulação Visceral.









