Cólicas do bebé


Cólicas do bebé: Sintomas e Osteopatia em Lisboa


As cólicas do bebé provocam dor, choro inconsolável, muitas vezes gritando, esticando ou puxando as pernas para cima, e soltando gases.

Neste artigo vamos ver o que são as cólicas do bebé e como a Osteopatia Pediátrica pode ser uma grande ajuda para aliviar as dores do recém nascido.


Artigo escrito por Sebastian Guzzetti – Osteopata em Lisboa 

refluxo em bebêO que são as cólicas do bebé?

A realidade é que todos os bebés choram: é a melhor (e única) forma de comunicar as suas necessidades nesta tenra idade. E, como pais, estamos biologicamente programados para responder de forma a que essas necessidades sejam satisfeitas.

Não existem remédios milagrosos para as cólicas do bebé… o choro começa de repente e sem razão aparente!

O termo “cólica” vem de “kolikos”, que em grego significa cólon, ou seja, a última parte do intestino.

As cólicas não são uma doença, este termo é utilizado para identificar um choro excessivo e inconsolável, provavelmente causado por uma disfunção intestinal. Ocorre geralmente em 1 em cada 5 bebés.

O choro provocado pelas cólicas pode durar horas, normalmente ao final da tarde até altas horas da noite.

Não existe um método específico, mas em seguida veremos algumas dicas sobre como aliviar as cólicas do bebé.

Os pediatras utilizam a “REGRA DOS 3” como método de diagnóstico.

O recém-nascido chora:

  • Durante um total de 3 horas por dia
  • Pelo menos 3 dias por semana
  • Persiste durante 3 semanas seguidas

Quando é que as cólicas do bebé começam e param?

A boa notícia é que as cólicas do bebé não duram para sempre. Na maioria dos casos, as cólicas começam quando o bebé tem 2 ou 3 Semanas de idade (mais tarde nos bebés prematuros), atingem o seu pico por volta das 6 semanas e começam a diminuir quando atingem as 10 ou 12 Semanas.

Quando atingem os 3 meses, a maioria dos bebés parece milagrosamente curada.

As cólicas podem terminar subitamente – ou gradualmente, alternando entre dias calmos e agitados, até desaparecerem completamente.

Existem remédios e dicas para ajudar a resolver ou diminuir as crises de choro causadas por cólicas.

Causas das cólicas do bebé

A causa exacta das cólicas não pode ser identificada, existem muitas causas possíveis, tais como problemas gastrointestinais, desenvolvimento nervoso, factores psicológicos e inflamação ou disbiose.


Possíveis causas e remédios para as cólicas dos bebés:

  1. Gastrointestinal
  2. Plagiocefalia ou “cabeça achatada”
  3. Hormonal
  4. Neurodesenvolvimento
  5. Psicossocial

1. Gastrointestinal

Muitos distúrbios gastrointestinais são identificados como uma possível causa de cólicas.

Quando tem uma cólica, o recém-nascido tende a encolher as pernas e a apresentar muita flatulência (gás intestinal).

Uma alergia às proteínas do leite de vaca ou a outras substâncias introduzidas pela mãe através da dieta, a produção de gás intestinal, a intolerância à lactose, uma má pega na amamentação ou uma disbiose, são todos fatores que podem levar a uma problemática gastrointestinal e causar as cólicas.

  • Alergia às proteínas do leite de vaca

Alguns especialistas consideram que a cólica é o resultado de uma alergia às proteínas do leite de vaca em bebés alimentados com leite artificial.

Mais raramente, a cólica pode ser uma reação a alimentos específicos na dieta da mãe em bebés amamentados. Em qualquer dos casos, estas alergias ou sensibilidades podem causar dor abdominal que pode desencadear o comportamento de cólica.

O recém-nascido possui um sistema gastrointestinal ainda imaturo, o que levaria a uma dificuldade em decompor as proteínas e digeri-las, causando uma inflamação intestinal e alterando a sua flora.

  • Intolerância a alimentos introduzidos na dieta da mãe (em caso de amamentação)

Tudo o que a mãe ingere através da sua dieta é também transmitido ao recém-nascido.

Uma alimentação materna com muitas crucíferas (como couve-flor, brócolos, couves, etc.) ou com cebolas, feijão e ovos, pode causar uma maior produção de gás no bebé.

Também se recomenda a eliminação de qualquer produto que contem leite, por a relação que explicamos antes, entre a digestão das proteínas do leite e o intestino do bebé.

  • Produção de gás intestinal

Estudos científicos indicam que a causa principal das cólicas é o gás intestinal, como reação à fermentação bacteriana ou devido a uma alimentação voraz com ingestão de ar durante a sucção, ou dificuldade na amamentação.

  • Refluxo ácido infantil

A investigação descobriu que a DRGE infantil (doença do refluxo gastroesofágico) pode desencadear episódios de cólicas.

O refluxo é frequentemente o resultado de um esfíncter esofágico inferior subdesenvolvido — o músculo que impede o ácido do estômago de fluir de volta para a garganta e boca — o que pode irritar o esófago.

Os sintomas incluem regurgitações frequentes, dificuldade na alimentação e irritabilidade durante e após as mamadas.

A boa notícia é que a maioria dos bebés supera a DRGE por volta de 1 ano de idade (e as cólicas geralmente desaparecem muito antes disso).

  • Inflamação / Disbiose
Num estudo recente, descobriu-se que as fezes dos bebés com cólicas apresentavam um nível elevado de calprotectina fecal, um marcador de inflamação intestinal.
Sabe-se que os níveis são mais elevados em bebés amamentados, mas quando estes foram analisados separadamente dos bebés alimentados com leite de fórmula, a calprotectina fecal foi consistentemente mais alta nos bebés com cólicas do que naqueles sem sintomas.
Evidenciou-se que a microbiota fecal era diferente nos bebés com cólicas, apresentando um menor número de actinobactérias (das quais 95% são bifidobactérias).
A análise dos componentes principais revelou que a β-diversidade microbial diferia de forma significativa.
A inflamação do cólon cria um ambiente intestinal que influencia a função cerebral e o comportamento do recém-nascido.

2. Plagiocefalia ou “cabeça achatada”

A plagiocefalia, ou “cabeça achatada” do recém-nascido, cria uma alteração posicional da cabeça, comprimindo o buraco lácero posterior (um orifício craniano) por onde passa o nervo vago, o que gera uma alteração do sinal nervoso entre o sistema visceral e o encéfalo.

A plagiocefalia pode levar a problemas na amamentação e na capacidade de movimento da cabeça. Podem, assim, criar-se dificuldades digestivas que causam as cólicas.

Nestes casos, os Osteopatia infantil è um  valido remédio para as cólicas do recém-nascido, pois ajudam a resolver problemas posturais que podem interferir com a digestão.


3. Dificuldade durante a sucção

Uma das causas das cólicas pode ser a ingestão excessiva de ar durante o apego, o que leva a um aumento de ar no estômago e cria dificuldades na digestão.

Se o recém-nascido não consegue fazer uma pega correta na mama ou se a tetina não for adequada, o bebé pode agitar-se e ficar enervado, além de se tornar voraz.

É necessário verificar se existe alguma disfunção ao nível craniano, cervical, da mandíbula ou da língua.

Os primeiros dias de amamentação são muito importantes e, frequentemente, difíceis; o leite presente no peito é inicialmente mais “aquoso”, e apenas após alguns dias chega o leite mais nutritivo e rico em ácidos gordos.

Não se deve desistir de imediato, mas sim insistir na pega, mesmo que o bebé tenda a soltar-se.

O leite materno é produzido com base na estimulação da mama.

Se o recém-nascido tem dificuldade em sugar, a causa poderá dever-se à fraqueza dos músculos da sucção ou a disfunções da ATM (articulação temporomandibular).

Uma disfunção entre as primeiras vértebras cervicais pode criar um problema na extensão da cabeça e, consequentemente, o recém-nascido não consegue projetar a língua, resultando em problemas de sucção.


4. Hormonal

Um estudo demonstra como um nível elevado de serotonina pode favorecer o aparecimento de cólicas nos recém-nascidos.

A serotonina produzida ao nível intestinal tem uma relação direta com o humor e com o comportamento.


5. Neurodesenvolvimento

Os fatores de desenvolvimento neurológico também têm sido propostos como uma das causas que contribuem para as cólicas.

Segundo uma teoria do Dr. Harvey Karp, um especialista em desenvolvimento, os bebés nascem “cedo” demais, com cerca de 3 meses (ou um trimestre) de antecedência, o que se manifesta em episódios de choro inconsolável.

De acordo com a sua teoria, os recém-nascidos perdem as sensações agradáveis do útero materno (que podem ser imitadas mantendo-os quentes e tranquilos, envolvendo-os confortavelmente, colocando-os de barriga para baixo e embalando-os com um movimento suave).

No seu livro, ele compara o recém-nascido humano ao dos cavalos, salientando como o ser humano nasce indefeso e incapaz de cuidar de si próprio, enquanto um cavalo recém-nascido começa a correr no próprio dia em que nasce.

Os episódios de choro inconsolável resolvem-se na maioria das crianças por volta dos 3 meses de idade, momento em que os bebés começam a “acordar”, aceitando o seu ambiente, sorrindo, rolando e emitindo sons vocais.


6. Psicossocial

Os fatores emocionais vividos pelo recém-nascido podem contribuir para a manifestação das cólicas.

A ansiedade dos pais, o tabagismo materno, a idade da mãe e a depressão materna ou paterna são fatores associados às cólicas.

Cólicas do bebéSintomas das Cólicas do bebé

Como perceber se um recém-nascido tem cólicas?

Além da “regra dos três” que vimos anteriormente (mais de três horas por dia, pelo menos três dias por semana, durante mais de três semanas), existem sintomas e sinais que nos ajudam a identificá-las:

  • Choro excessivo e inconsolável: Um choro agudo e persistente, sem uma causa óbvia (como fome, cansasse, fralda suja). Normalmente sempre à mesma hora do dia (geralmente ao final da tarde / noite, mas pode variar).
  • Flexão das pernas: O bebé puxa as pernas em direção à barriga.
  • Costas arqueadas: O bebé estica e arqueia as costas durante as crises.
  • Membros rígidos: Os braços ficam tensos e as mãos ficam fechadas.
  • Flatulência (Gases): Libertação frequente de gases durante o choro,
  • Distensão abdominal: A barriga do bebé parece inchada, dura ou tensa ao toque.
  • Expressão facial de dor: Rosto avermelhado e expressões de sofrimento.
  • Alimentação e sono interrompidos pelo choro: o bebé procura freneticamente o mamilo apenas para o rejeitar assim que a sucção começa.

Qual é a diferença entre o choro de cólica e o choro normal?

Não existe uma definição clara do que é exatamente a cólica ou de como (e se) difere de outros tipos de choro.

No entanto, os médicos concordam geralmente que o choro da cólica é mais forte, mais intenso e mais agudo do que o choro normal, soando por vezes quase como se o bebé estivesse a gritar.

Os bebés com cólicas parecem inconsoláveis e tendem a chorar por um total de, pelo menos, três horas por dia. (Embora possa perfeitamente parecer o dia inteiro, para grande desespero dos pais cansados e tensos).

Muito frequentemente, os períodos de cólicas repetem-se diariamente, ainda que alguns bebés possam ter uma noite de tréguas ocasional.

Cólicas do bebé

Remédios para as cólicas do recém-nascido

A cólica infantil é frequentemente gerida em casa através de ajustes comportamentais e técnicas de relaxamento.

Vamos ver as estratégias de gestão natural e caseira baseadas em evidências científicas:


Estratégias de Conforto Físico e Comportamental
  • Técnicas de Suporte: Embalar, passear com o bebé ao colo, utilizar baloiços ou cadeiras vibratórias são métodos eficazes para acalmar o choro.
  • Massagem Abdominal e Calor: A massagem suave no abdómen (por vezes utilizando óleos de camomila ou funcho) e a aplicação de compressas mornas (como uma toalha aquecida) podem aliviar o desconforto causado pelos gases.
  • Redução de Estímulos: Diminuir a luz e o ruído, ou utilizar ruído branco (white noise), ajuda a acalmar o sistema nervoso do lactente.
  • Posicionamento: uma posição que pode proporcionar conforto ao recém-nascido é a de barriga para baixo. Esta posição aquece o abdómen e reduz a movimentação de ar intestinal, que é uma das possíveis causas das cólicas. Além disso, segurá-lo ao colo fará com que se sinta seguro e protegido.

Ajustes na Alimentação
  • Dieta Materna (Amamentação): A redução do consumo de leite de vaca, laticínios, cafeína, soja, frutos secos e trigo pela mãe pode reduzir significativamente os sintomas de cólica no bebé.
  • Técnicas de Biberão: O uso de biberões curvos ou com sistemas de ventilação pode ajudar a reduzir a quantidade de ar que o bebé engole.

Remédios Naturais e Suplementos
  • Infusões de Ervas: Alguns estudos sugerem que chás específicos contendo camomila, verbena, alcaçuz e funcho podem reduzir o tempo de choro.
  • Óleos Herbais: O uso de óleos de alcaravia, funcho ou cidreira também apresenta benefícios nalguns casos.
  • Probióticos: Como mencionado anteriormente, o Lactobacillus reuteri continua a ser uma das recomendações mais fortes, especialmente para bebés amamentados.

Leve-o ao Osteopata

Um dos remédios mais eficazes para as cólicas do recém-nascido é o Tratamento Osteopático.

Através de manipulações suaves, o Osteopata consegue melhorar a funcionalidade gastrointestinal do bebé e libertar áreas de tensão que podem estar a causar dor ou dificuldades de movimento.

Quando contactar o médico em caso de cólicas no bebé

Na maioria das vezes, o choro inconsolável deve-se às cólicas. No entanto, se considerar que o choro é excessivo, não hesite em contactar o seu pediatra.

O pediatra irá questionar sobre a frequência, a duração e o tipo de choro.

A descrição do mesmo, bem como a presença de outros sintomas, ajudará o médico a excluir qualquer condição médica subjacente (como refluxo, uma infeção ou uma alergia ao leite) que possa estar a desencadear o choro.

Osteopata infantil Lisboa Osteopatia e as cólicas

Um dos remédios para as cólicas do recém-nascido é a Osteopatia, que geralmente avalia e trata:


1. O intestino

Vimos a importância de ter um intestino funcional; a Osteopatia Visceral, neste caso, ajuda a reduzir a produção de ar na barriga e a melhorar a capacidade de esvaziamento.

Existem técnicas que podem ser facilmente repetidas pelos pais, inclusive diariamente, para prevenir a acumulação de ar.


2. O diafragma e a caixa torácica

Um trauma durante o parto pode provocar tensões e torções na coluna e no esterno.

Isto pode refletir-se numa disfunção gástrica, especificamente na válvula cárdias, e causar uma incontinência que pode provocar uma má oclusão e fazer com que o ácido suba pelo esófago.

As técnicas osteopáticas podem equilibrar a caixa torácica e libertar as torções através do diafragma.


3. A cabeça, o pescoço e a boca

O nervo vago é o nervo mais importante do sistema parassimpático, também denominado pneumogástrico.

É o décimo par craniano, tem origem no bolbo raquidiano, sai do crânio através do forame jugular e dirige-se para o tórax e abdómen.

Uma compressão ao longo do seu percurso pode criar uma alteração do sinal nervoso e gerar problemas no pescoço e em redor da língua, impedindo uma sucção ideal.

A Osteopatia Infantil ajuda a libertar delicadamente as restrições no pescoço e em redor da língua, permitindo que o bebé sugue mais facilmente e ingira menos ar.


4. O bebé em geral

Por vezes, após uma gravidez stressante ou um parto complicado, podem surgir problemas de natureza variada, desde a plagiocefalia (cabeça achatada) a dificuldades de digestão ou problemas de sono.

Em todos os casos, é recomendada uma consulta de Osteopatia Infantil para libertar determinadas zonas ou áreas que possam estar na origem destas disfunções.

O Tratamento Osteopático é delicado e indolor; os recém-nascidos ficam frequentemente relaxados após o tratamento e apresentam uma melhor qualidade de sono.

Do ponto de vista alimentar, podem resolver-se problemas de “pega” ao peito.

A maioria dos recém-nascidos pode ser tratada mesmo em sinergia com terapias farmacológicas. Nestes casos, é sempre necessário o consentimento médico e pediátrico.

Cólicas do bebé: quando ir ao Osteopata?

Idealmente, os bebés são vistos o mais cedo possível após o nascimento, sendo geralmente recomendado fazê-lo durante o primeiro mês.

Mesmo na ausência de problemas, uma consulta com o Osteopata Pediátrico permite avaliar precocemente qualquer tensão ou bloqueio que possa vir a criar complicações.

Se o recém-nascido teve um parto difícil, um parto com recurso a ventosa ou uma cesariana de emergência após uma tentativa de parto vaginal, é aconselhável que o bebé seja examinado o quanto antes.

Lembre-se que a Osteopatia revela ser um dos remédios mais eficazes para as cólicas do lactante.


Artigo escrito por Sebastian Guzzetti – Osteopata Lisboa

Osteopata e osteopata pediátrico em Lisboa, com mais de 10 anos de experiência em Itália. Licenciado em Motricidade humana com especialização em Ciências do Desporto.